A morte súbita em atletas é um evento raro, porém de grande impacto emocional e social, especialmente porque ocorre em indivíduos considerados saudáveis e fisicamente ativos. Na maioria dos casos, ela ocorre de forma inesperada durante ou logo após o exercício, sendo causada por uma parada cardíaca decorrente de doenças cardíacas muitas vezes desconhecidas pelo próprio atleta. Embora a prática regular de atividade física traga inúmeros benefícios à saúde cardiovascular, algumas condições podem aumentar o risco de eventos graves durante esforços intensos.
Muitas dessas doenças podem permanecer assintomáticas por anos e manifestar-se apenas durante um esforço físico intenso. Por isso, sintomas como dor no peito, falta de ar desproporcional ao exercício, palpitações, tonturas ou episódios de desmaio nunca devem ser ignorados. Além disso, a presença de histórico familiar de morte súbita ou doenças cardíacas hereditárias merece atenção especial.
Entre as mulheres, a morte súbita geralmente está associada a alterações elétricas graves do coração, mesmo quando não são encontradas doenças estruturais evidentes após a morte. Felizmente, esse tipo de evento é muito menos frequente do que nos homens, ocorrendo cerca de três vezes menos em mulheres jovens e até vinte vezes menos em idosas. Esse menor risco pode estar relacionado à ação protetora de hormônios femininos e a diferenças metabólicas que ajudam a reduzir a ocorrência de arritmias durante esforços físicos intensos.
A prevenção da morte súbita depende principalmente de duas estratégias: a avaliação cardiovascular pré-participação e a rápida resposta aos casos de parada cardíaca, incluindo treinamento em ressuscitação cardiopulmonar (RCP) e disponibilidade de desfibriladores externos automáticos (DEA) em locais esportivos.
Em 2021 na Eurocopa, o meio-campista dinamarquês Christian Eriksen, de então 29 anos, apresentou uma morte súbita em campo durante uma partida e precisou ser reanimado, voltando após reanimação e choque com desfibrilador graças a agilidade e treinamento da equipe médica no local. O assunto recentemente voltou a ser destaque após um novo episódio de de mal estar seguido por um choque de seu cardiodesfibrilador implantável (CDI) que o mesmo tem desde à época do primeiro evento.
Por meio da história clínica, do exame físico e, quando indicado, de exames complementares como o eletrocardiograma e o ecocardiograma, é possível identificar indivíduos com maior risco e orientar a prática esportiva de forma segura. A detecção precoce de doenças causadoras de morte súbita cardíaca (MS) é um dos principais objetivos da avaliação dos pacientes antes do início da prática esportiva. Ela não tem o objetivo de impedir a atividade física, mas sim garantir que seus benefícios sejam obtidos com o menor risco possível.
REFERÊNCIAS:
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Castelletti, S., & Gati, S. (2021). The Female Athlete’s Heart: Overview and Management of Cardiovascular Diseases. Cardiomyopathy Unit and Center for Cardiac Arrhythmias of Genetic Origin, Department of Cardiovascular, Neural and Metabolic Science, Istituto Auxologico Italiano IRCCS, Milan, Italy; National Heart and Lung Institute, Imperial College London, UK; Department of Cardiology, Royal Brompton Hospital, London, UK.
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