A hipertensão arterial, conhecida como pressão alta, é uma condição muito comum e geralmente não causa sintomas. Mesmo sem provocar sinais perceptíveis, porém, a pressão elevada por muitos anos pode sobrecarregar o coração e aumentar o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), doença renal e insuficiência cardíaca. Por isso, medir a pressão regularmente — inclusive em consultas de rotina — é importante para o diagnóstico e o acompanhamento.
A atividade física regular é uma das estratégias mais eficazes para ajudar a controlar a pressão arterial. Ela atua ao lado de uma alimentação equilibrada, do controle do peso, do sono adequado, da redução do consumo de álcool, da interrupção do tabagismo e, quando indicado, do uso de medicamentos. O exercício não substitui o tratamento prescrito, mas pode potencializar seus benefícios.
Durante o esforço, é esperado que a pressão arterial aumente temporariamente, sobretudo a pressão sistólica — o primeiro número da medida. Isso ocorre porque o coração precisa bombear mais sangue para os músculos. Depois do exercício, a pressão tende a diminuir e pode permanecer mais baixa por algumas horas.
Essa resposta não deve ser interpretada isoladamente. Uma elevação exagerada, sintomas durante o esforço ou uma recuperação inadequada merecem avaliação profissional. Pessoas com hipertensão devem manter o acompanhamento médico e não interromper os remédios por conta própria para praticar exercícios.
Os maiores benefícios costumam ser observados quando a prática é regular. Caminhada, corrida, bicicleta, natação, dança e outras atividades aeróbicas podem reduzir a pressão arterial e melhorar o condicionamento físico. Também é recomendável incluir exercícios de força, como musculação, além de atividades que trabalhem equilíbrio e flexibilidade, especialmente com o envelhecimento.
A Organização Mundial da Saúde recomenda, para adultos, 150 a 300 minutos por semana de atividade aeróbica moderada ou 75 a 150 minutos de atividade vigorosa, ou uma combinação equivalente. Também recomenda exercícios de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana. Não é preciso começar nesse volume: quem está parado pode iniciar com períodos curtos e aumentar gradualmente. Dividir a atividade em sessões menores ao longo da semana também funciona.
Na intensidade moderada, a pessoa geralmente consegue conversar, mas não cantar confortavelmente. Essa é apenas uma referência prática; a intensidade ideal depende da idade, do condicionamento, dos medicamentos e das outras condições de saúde.
A musculação não é proibida para quem tem hipertensão. Quando planejada e supervisionada, pode melhorar a força, a autonomia e a saúde cardiovascular. Durante as séries, a pressão pode subir de forma mais acentuada. Para reduzir riscos, é importante usar cargas adequadas, executar o movimento com controle, evitar fazer força máxima sem orientação e não prender a respiração — deve-se respirar continuamente, soltando o ar durante a fase de maior esforço.
Principais fatores de risco para hipertensão arterial . Imagem retirada da Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025.
Nem todas as pessoas precisam dos mesmos exames. A necessidade de eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico ou outros testes depende da idade, dos sintomas, do nível de pressão, do histórico médico, dos medicamentos e do tipo de exercício pretendido. A avaliação clínica ajuda a escolher uma atividade segura e realista, sem criar barreiras desnecessárias para quem quer começar.
É especialmente importante conversar com um profissional antes de iniciar exercícios intensos se você está sedentário, tem doença cardiovascular conhecida, diabetes, doença renal, sintomas sugestivos de problema cardíaco ou vários fatores de risco. Durante o exercício, interrompa a atividade e procure orientação se surgirem dor ou pressão no peito, falta de ar desproporcional, desmaio, palpitações intensas, confusão ou mal-estar importante. Em uma emergência, procure atendimento imediatamente.
Ter hipertensão não significa abandonar o esporte. Na maioria das vezes, o exercício faz parte do tratamento e pode ser praticado com segurança, desde que a pressão e as condições de saúde estejam acompanhadas. Começar de forma gradual, escolher uma atividade prazerosa e manter regularidade costuma ser mais importante do que buscar treinos muito intensos.
Antes de mudar o seu programa de exercícios ou o tratamento da pressão, converse com o médico e, quando possível, com um profissional de educação física ou fisioterapia qualificado. Este texto é educativo e não substitui uma avaliação individual.
Medidas para prevenção da hipertensão arterial. Imagem retirada da Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025
REFERÊNCIAS:
Organização Mundial da Saúde. WHO Guidelines on Physical Activity and Sedentary Behaviour. 2020.
Visseren FLJ, Mach F, Smulders YM, Carballo D, Koskinas KC, Bäck M, et al. ESC Guidelines on cardiovascular disease prevention in clinical practice. Eur Heart J. 2021;42(34):3227-3337.
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Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial — Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sociedade Brasileira de Hipertensão e Sociedade Brasileira de Nefrologia. Arq Bras Cardiol. 2025; 122(9):e20250624