O coração de atleta é o nome dado ao conjunto de adaptações naturais que ocorrem na estrutura e no ritmo do coração de pessoas que praticam exercícios físicos intensos e frequentes. Quando alguém treina de forma consistente, na maioria dos dias da semana, por um longo período de tempo, o músculo cardíaco se adapta para bombear mais sangue com menos esforço.
Essas mudanças incluem o aumento do tamanho das cavidades cardíacas e um discreto ganho de espessura das suas paredes. Trata-se de uma resposta saudável ao estímulo do esporte — e não de uma doença.
Como o coração treinado consegue enviar uma quantidade maior de sangue para o corpo a cada batida, ele se torna mais eficiente. Por isso, em repouso, o coração do atleta pode, em alguns casos, bater muito menos vezes por minuto para manter o organismo funcionando normalmente. É importante ter em mente que nem todo atleta de alto rendimento desenvolve adaptações cardíacas relacionadas ao exercício, por mais bem condicionado fisicamente que ele seja.
De acordo com as diretrizes de cardiologia do esporte — como a Atualização da Diretriz em Cardiologia do Esporte e do Exercício, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) em conjunto com a Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, e as recomendações da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) — o grande desafio da medicina esportiva está na chamada "zona cinzenta".
Isso ocorre porque um coração saudável, que cresceu em resposta a treinos intensos, pode se parecer muito, nos exames de imagem, com um coração doente, acometido por condições genéticas ou adquiridas graves. A principal delas é a cardiomiopatia hipertrófica, doença que espessa as paredes do músculo cardíaco e representa a principal causa de morte súbita em jovens atletas.
Para diferenciar, com segurança, uma adaptação saudável de uma doença oculta, muitas vezes é preciso recorrer a exames minuciosos e à investigação do histórico familiar. Exames complementares como o ecocardiograma, o teste cardiopulmonar de exercício (ergoespirometria) e a ressonância magnética cardíaca ajudam a traçar essa linha divisória.
Em alguns casos específicos, quando a suspeita de alguma patologia é relevante, pode ser necessário interromper os treinos por algumas semanas até a conclusão da investigação. O destreinamento também pode ser uma ferramenta útil nesse processo, já que ajuda a avaliar se as alterações encontradas nos exames regridem com a pausa do exercício — o que reforça que se trata de adaptação, e não de doença.
Toda pessoa que ingressa em rotinas de alta performance deve realizar acompanhamento cardiológico regular, antes e durante as temporadas de treinamento. O esporte promove saúde, mas monitorar a evolução dessas modificações internas é o que garante a segurança necessária para que o atleta extraia o máximo de seu rendimento sem colocar a vida em risco.
REFERÊNCIAS:
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